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ABPO DÁ O PRIMEIRO PASSO PARA EXPORTAÇÃO DE CARNE ORGÂNICA DO PANTANAL

quinta-feira, 1 Março, 2018

Campo Grande (MS) – Em noite de gala para o agronegócio de Mato Grosso do Sul, a Associação Brasileira de Produtores Orgânicos – ABPO Pantanal Orgânico – em parceria com as entidades socioambientais WWF Brasil e Slow Food, celebraram, na segunda-feira (23), o primeiro passo de uma aliança comercial que vai abrir caminhos para a exportação da carne bovina orgânica de Mato Grosso do Sul para o mercado europeu.
 
Na ocasião, ocorrida no restaurante Yotedy, foi oferecida uma degustação de carne bovina orgânica do Pantanal, massas e vinhos italianos – em pratos preparados pela chef Dedê Cesco, especialista em culinária regional - a uma comitiva italiana composta pelo consultor comercial Marco Verticelli, os representantes da Slow Food, Davide Acerra e Giorgio Lavarini e a jornalista Marzia Aquilio, e mais de 100 convidados dentre autoridades do poder público, representantes da sociedade civil e da classe produtora. O evento teve apoio do Sebrae, Embrapa Pantanal, JBS Friboi, Famasul, Superintendência Federal de Agricultura, Sindicato Rural de Campo Grande e Real H.
 
Marco Verticelli, consultor do Istituto Zooprofilattico di Teramo G. Caporale e representante comercial da ABPO na Itália, disse que há um interesse muito grande daquele país na carne orgânica do Pantanal porque esta oferece ao consumidor italiano uma segurança, através de seu protocolo de certificação. “Trata-se de uma carne com identidade, produzida com respeito ao meio ambiente e aos trabalhadores rurais, e isso é muito importante para o mercado consumidor europeu. Este ano é o ano oficial da Itália no Brasil e estamos trabalhando para aumentar essas possibilidades de intercâmbio, e para que outros países da Europa conheçam essa carne.” 
 
O representante da Slow Food, David Acerra, relatou sobre os projetos desenvolvidos pela entidade no mundo, como o Terra Madre, e explicou o interesse da entidade pela carne orgânica do Pantanal, já que seu processo produtivo preza pela certificação socioambiental: “Encontrar esses atributos na carne proveniente do Pantanal é um ponto que merece destaque, pois há dificuldades de produção em grande escala, mas paralelamente há atenção ao meio ambiente, por isso, uma maneira de colaborar é promover o trabalho da ABPO.” 
 
O presidente da ABPO Pantanal Orgânico, Leonardo Leite de Barros, explicou que o processo teve início quando o governo do Estado de Mato Grosso do Sul realizou viagens comerciais à Europa e à Ásia no sentido de abrir o mercado de exportação: “O nosso governador foi à Europa para divulgar esse potencial e isso gerou resultados. A ABPO está agora trilhando essa ‘porteira’ aberta pelo governador usando a Itália como porta de entrada para os países europeus.” 
 
Leonardo disse ainda que atualmente a Europa está necessitando de carne e exige a certificação de sua origem: “Há indústrias de processamento de carne bovina ociosas porque aquele continente deixou de produzir bovinos. O mercado consumidor europeu está desabastecido, mas não quer comprar commodities pura e simplesmente, quer origem do produto, e para isso é necessária a rastreabilidade. Aqui em Mato Grosso do Sul, estamos buscando uma identificação, uma certificação para a nossa carne, para aqueles pecuaristas que não querem vender commodities, mas que querem vender um produto diferenciado, então estamos em busca de associações de produtores que querem seguir o nosso protocolo e certificar essa carne, de forma a fortalecer a pecuária do Estado. Parceria é troca, então se queremos vender nossa carne, vamos abrir as portas para os produtos italianos. Enquanto associação, temos de buscar nichos de mercado, pois nossa carne é um produto diferenciado. Temos de criar um mecanismo voltado para isso e o mais fácil é a certificação, que a ABPO já faz e sei que é o sonho do governador. É um longo caminho a se trilhado, difícil, lento e necessário. Porém acredito que a vontade política do governo do Estado de Mato Grosso do Sul vai viabilizar esta aliança comercial. Eu realmente creio nessa parceria público-privada, porque é uma ação que não precisa de investimentos vultosos”, finalizou Leonardo.
 
Anteriormente, a ABPO Pantanal Orgânico e o WWF Brasil já haviam promovido uma degustação na região de Abruzzo, Itália, como relatou Leonardo: “Apresentamos a nossa carne a várias autoridades italianas, representantes comerciais do food service, do varejo, da imprensa, e foi um grande sucesso. Por conta disso, varias tratativas comerciais surgiram e nos convocaram para a formatação de uma parceria que esta sendo finalizada para que seja duradoura. Não queremos vender carne, queremos criar relacionamento. Nosso produto tem valor agregado. Nada disso seria possível se não fosse a iniciativa do seu governo de usar a Itália como porta de entrada para mostrar nosso Estado e nossos produtos.  Essa visão estratégica entre o público, o privado e o terceiro setor está dando frutos, e precisamos continuar dessa forma.”
 
Leonardo agradeceu em seu discurso às entidades apoiadoras de primeira ordem, como Sebrae, Embrapa Pantanal, JBS Friboi, e ao WWF Brasil, pela parceria que quebrou paradigmas, como disse Ivens Domingos, representante desta entidade: “ O WWF Brasil está presente no Pantanal desde 1998 e tem por filosofia trabalhar em prol da relação entre ser humano e meio ambiente e seu desenvolvimento sustentável. Este evento é um marco depois de mais sete anos de parceria de sucesso com a ABPO, afinal, quem diria que uma associação de proprietários rurais do Pantanal trabalharia em conjunto com uma entidade não-governamental de sigla estrangeira e ainda obtendo sucesso? Apesar de muitos percalços, esta parceria vai em busca de um bem maior, que é uma alternativa produtiva que gere desenvolvimento e recursos para o produtor que preserva o ambiente em que vive, valorizando uma pecuária secular. Nosso papel é atuar como um catalisador de processos e  influenciar com melhorias em critérios ambientais não esquecendo da parte social que é o aporte de recursos financeiros e as vantagens competitivas ao produtor. Vamos continuar buscando mais soluções para o desenvolvimento da pecuária do Estado para que sejamos um exemplo de produção de carne sustentável com critérios socioambientais.” 
 
Para a secretária de Estado Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo, Tereza Cristina Corrêa da Costa, é importante o envolvimento de outras associações de pecuaristas neste processo: “A ABPO já está organizada, e o governo estadual, através da nossa secretaria, vem trabalhando nisso, pois queremos um selo para a carne de Mato Grosso do Sul, de forma a certificá-la e criarmos uma grife, com origem reconhecida. É um volume ainda pequeno, poucos estão aptos, mas as vantagens são muito grandes e em breve tenho certeza de que teremos um volume maior de produtores de outras associações que possam fazer parte dessa exportação para a Europa, em específico para a Itália, que é especialista em fazer cortes especiais, mas não tem a matéria-prima, que é o boi. Já vencemos as etapas sanitárias e hoje temos plenas condições de exportar carne para o mundo. Precisamos agora de protocolos, os quais variam na sanidade, no manejo, e principalmente na origem. A ABPO já tem essa certificação da propriedade, de onde esses animais nasceram, e para onde vão sair para serem terminados e exportados, então o que fazemos é certificar outras associações  que já têm volume. Basta se incorporarem a esse movimento e certificarem suas propriedades, não esquecendo que a rastreabilidade é a maior evidência desses protocolos de carne para a Europa.”
 
Para o governador de Mato Grosso do Sul André Puccinelli, é uma satisfação unir o país em que ele nasceu e o que o acolheu através de laços comerciais que tenham a  sustentabilidade como elo. No evento, ele se mostrou feliz pela integração entre  Itália e Brasil: “É importante trabalhar para obter o reconhecimento do valor – e melhores preços – para essa carne orgânica pantaneira nesses novos mercados. Fomos à Itália e falamos com mais de 800 empresários, temos um público-alvo seleto, e através dessa porta de entrada expandiremos a toda a Europa. Queremos que nossa carne orgânica do Pantanal seja vendida ao mundo como faz a Nova Zelândia e a Austrália, por exemplo, com preço superior ao que o mercado absorve. Esse trabalho é o reconhecimento de um Estado que respeita o meio ambiente. Através do trabalho da secretaria Tereza Cristina e da ABPO vamos mostrar a melhor carne do mundo ao mundo.”
 
Fonte: Da Redação